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Ótimas Notícias:
1.Depois de longo período inativo, nosso computador já está recuperado!!!
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Detalhe: na lista, em ordem alfabética, dos selecionados,procurar dentre os que começam com as letras "www".



Estou em plena fase de recuperação. Só estou apanhando no uso do lap top. Daí, provisoriamente, não poder responder as mensagens dos queridos amigos.

06 maio 2006

SENTA AÍ, TALITA ! (Hillel, um sábio professor)

HILLEL, UM SÁBIO PROFESSOR
Fernando J G Marinho

(artigo publicado no Diário de Petrópolis, de 10 de julho de 1999)

Há cerca de três décadas, lecionei matemática para turmas correspondentes às atuais 5a e 6a séries do 1° grau em um curso noturno da Escola Técnica D. Bosco , em Resende-RJ . Como o exercício do magistério não era a minha atividade principal, resolvi aprimorar meus conhecimentos pedagógicos lendo A ARTE DE SER UM PERFEITO MAU PROFESSOR, do saudoso mestre Júlio César de Melo e Souza. A motivação para a leitura desse livro foi imediatamente fortalecida quando me deparei com a história narrada na orelha da obra. O Prof. Melo e Souza, cujo pseudônimo Malba Tahan tornou-se mundialmente conhecido graças à tradução de várias das suas criações para um sem número de idiomas, começa descrevendo quem era Hillel e a nos induzir à admirá-lo e seguí-lo como modelo. Com a palavra o mestre Melo e Souza:

" Já lá se vão muitos e muitos séculos... Havia na Judéia um rabino chamado Hillel. Era um homem de caráter reto, chefe de família exemplar, dotado de extraordinário e incalculável saber. Em conferências, na Sinagoga, esclarecia as passagens mais difíceis e obscuras dos Livros Santos. Reconheciam todos que o rabi Hillel dispensava a seus alunos ( que eram numerosos), o maior respeito e amizade. Tratava-os com extrema cordialidade e dedicação. Procurava auxiliar e motivar os mais fracos e animar e amparar os mais tímidos. Jamais dirigia a um de seus educandos uma palavra descaridosa e áspera. Era, para com todos, simples, justo e acolhedor. Quando chegava diante da classe, antes de iniciar a lição, o sobreexcelente Hillel cumprimentava os alunos, inclinando-se três vezes.
Certa vez, o estimado Naumin, cantor da Sinagoga, interpelou o sábio Hillel:
- Rabi! Estranho é o teu proceder. És o homem mais sábio de Israel. As tuas eloqüentes lições, no Templo, são ouvidas com o maior acatamento até pelos anciãos doutos e veneráveis. E, no entanto, tratas os teus jovens e inscientes alunos sem o mais leve traço de superioridade, com extrema brandura. E tu estás, ó Rabi, muito alto! Como poderias justificar essa tua maneira singelíssima de acolher os educandos?
Respondeu Hillel, com serenidade:
- Meu filho, trato os meus alunos com o maior respeito, procuro cativá-los e orientá-los pelo bom caminho, por um motivo muito simples: Eu sei, com segurança, o que sou ; sei também, o que posso valer. Mas o que eles, os meus pacientes alunos serão e o que poderão valer, eu não sei, nem poderei saber!
E inclinou-se, novamente, três vezes diante de seus alunos.
Como é singular o destino! Não há palavras perdidas pelos caminhos da vida. Entre os alunos de Hillel achava-se naquela ocasião, um adolescente chamado Jesus, filho do nazareno José, o Carpinteiro. "

O último contato que tive com meus ex-alunos da Escola Técnica D.Bosco ocorreu dois anos após haver me afastado das funções de professor daquele estabelecimento de ensino. Foi justamente na festa de diplomação dos meus jovens ginasianos que, emocionadíssimo agradeci , publicamente , o fato de terem me convidado para servir como paraninfo da turma e os ensinamentos que também haviam me transmitido.

Quanto ao sábio Hillel, acabei admirando-o mais ainda, quando tomei conhecimento da influência que as suas idéias haviam exercido sobre uma outra notável personalidade: Ludovico Lázaro Zamenhof (1859-1917). O livro " HOMARANISMO - a idéia interna " , de Délio Pereira de Souza, Editora Espírita Sociedade F.V.Lorenz ( Rio de Janeiro-RJ ), cuja apresentação, feita pelo professor e amigo Benedicto Silva, merece ser aqui reproduzida, nos dá uma boa noção do valor desses dois extraordinários filantropos .

"Entre os esperantistas e não-esperantistas, é comum referir-se a Zamenhof apenas como o criador ou, como ele mesmo se dizia, o iniciador da língua internacional Esperanto.
E o foi, realmente.
Entretanto, para que possamos avaliar a imensa estatura do seu espírito, não podemos limitar-nos a vê-lo tão-somente como o genial lingüista que legou à humanidade o mais perfeito instrumento de comunicação internacional, nem tampouco como o eminente estilista que se revelou através de dezenas de traduções das mais representativas obras da literatura universal, desde os livros do Velho Testamento, até as clássicas páginas de Shakespeare, Dickens, Andersen, Schiller, Heine, Goeth, Molière e Gogol.
A grandeza de Zamenhof reside principalmente na evangélica ternura com que ele dedicou toda a sua vida à solução de um dos maiores e mais antigos problemas da humanidade- a incompreensão dos povos, incompreensão geradora dos mais profundos ódios e das guerras mais sangrentas.
Atormentado, desde a infância, pelas hostilidades decorrentes de toda sorte de preconceitos, dentre os quais avultaram os raciais, já na infância sentiu despertar em sua alma sensível e cristã o germe do sentimento a que deu o nome de "homaranismo", e que outra coisa não era senão um grande e sincero amor à humanidade, à coletividade dos homens.
Esse sentimento não só fez de Zamenhof o protótipo do cosmopolita, como também o induziu a dotar sua língua internacional - o Esperanto- de uma certa magia, de um certo sortilégio, que ele chamou de "interna ideo"( idéia interna), e que consiste num poder misterioso, capaz de estabelecer um sentimento fraternal entre as pessoas que o praticam, qualquer que seja a raça, a nação ou a religião a que pertençam.
Em Zamenhof o gênio lingüístico não suplantou o dom apostólico. Antes, serviu-lhe de caminho- o caminho mais indicado que se devia seguir para atingir o fim desejado.
Isto é o que todo leitor sente ao ler a obra original de Zamenhof, constituída, em sua maior parte, de cartas e pequenos tratados.
Délio Pereira de Souza foi além. Captou a mensagem e não a guardou avaramente para si. Comentou-a, esmiuçou-a com paciência beneditina e no-la deu assim, de mão beijada, num gesto de cristianíssima generosidade. "

Amigo leitor, entre 12 e 16 deste mês, juntamente com outro coidealista daqui de Petrópolis, Luiz Carlos Schanuel, estarei participando do 35° Congresso Brasileiro de Esperanto ( Campo Grande-MS). Nesse mesmo período do próximo ano, será a vez de Petrópolis servir de sede para o maior evento da Liga Brasileira de Esperanto. A publicação semanal desta coluna ; a realização de cursos básicos da língua internacional na Universidade Católica de Petrópolis, bem como o desenvolvimento do Projeto Sementeira Esperanto no Colégio Estadual Rui Barbosa são algumas das iniciativas que estamos procurando ampliar, com vistas a divulgação do esperanto na Região Serrana e ao maior sucesso do Congresso do ano 2000.
Não deixe de visitar a home page do
Projeto Sementeira Esperanto. A partir dela, você encontrará as informações que deseja.

05 maio 2006

SENTA AÍ, TALITA ! (Nascimento de uma amizade)

NASCIMENTO DE UMA AMIZADE

Antes que o meu amigo Eurípides, a quem devo os maiores agradecimentos pelo incentivo à realização deste livro, torne a me escrever cobrando a ampliação de informações sobre a adorável colega mencionada páginas atrás, apresso-me em esclarecer o seguinte: Há tanto o que falar sobre a nossa querida mãe Noemï, que nos pareceu mais conveniente não esgotar em único capítulo tudo o que gostaríamos de dizer a seu respeito. As informações serão fornecidas em doses homeopáticas. Enquanto isso não ocorre, falemos sobre o nascimento de uma amizade.

No dia 2 de janeiro deste ano ( 2003) recebi uma mensagem eletrônica de um professor de matemática de S.José do Rio Preto-SP, solicitando informações sobre a possibilidade de ser obtida uma cópia da obra (esgotada) " A ARTE DE SER UM PERFEITO MAU PROFESSOR, de Malba Tahan, a que me refiro no artigo "Hillel, um sábio professor". Depois de antecipados agradecimentos, identificação e telefone para contato, o autor da mensagem, Prof. Eurípides A. Silva , acrescentou o seguinte: " PS. - Tive a honra de ter sido aluno do Prof. Benedicto Silva (esperantista que o senhor menciona no seu artigo) quando aluno do científico (em 66), na cidade paulista de Monte Aprazível."
O contentamento pela favorável repercussão do tal artigo, publicado inicialmente no Diário de Petrópolis, em 10 de julho de 1999; a amabilidade do leitor Eurípides e a coincidência de ter ele sido aluno do prezado coidealista Benedicto Silva, fizeram com que eu não resistisse a um imediato telefonema para S.José do Rio Preto e iniciássemos uma agradável troca de informações. Posso dizer, que a partir do contato telefônico, passamos a nos considerar como se fossemos amigos de velha data. A cada troca de correspondência, continuamos descobrindo novas coincidências relacionadas a interesses , hábitos, atividades e amizades comuns. Por enquanto somos apenas amigos virtuais , mas já nos conhecemos o bastante para desejarmos alimentar indefinidamente a camaradagem que nos une.
Lendo a seguinte reação ao meu telefonema, vocês verão que não estou exagerando:
"Você não imagina a satisfação que me causou sua ligação. Sobretudo pelo seu idealismo em prol da educação. (Também tive a oportunidade de criar colunas semanais em jornais aqui de S. J. do Rio Preto e região, procurando vulgarizar desmistificar a Matemática; Malba Tahan será sempre um modelo a seguir). Hoje, aposentado pela UNESP, ainda leciono em uma universidade de R. Preto e em uma faculdade de Catanduva.......... Saber que você é espírita só aumentou minha admiração, sem falar no respeito pelos esperantistas. (Além do Prof. Benedicto Silva, aqui em R. Preto, tenho um amigo esperantista em São Carlos (SP), professor da USP, que possivelmente você conhece: José Carlos Cintra.) Infelizmente, ainda não pude me dedicar ao Esperanto; espero fazê-lo antes de desencarnar...
Fernando, faço votos para que continuemos nos comunicando. Se conseguir algum resultado sobre o livro de Malba Tahan dê-me a honra de uma ligação ou e-mail. De resto, desejo-lhe um feliz 2003, junto aos familiares, com muita saúde e muita paz.
Prof. Eurípides A. Silva."

Em junho de 1997, estive pela primeira vez em S.J. do Rio Preto . Fomos visitar nosso filho caçula, Luís Eduardo , Heloisa e a dupla do barulho (Dudinha e Betina), que haviam mudado para aquela cidade. Não poderia perder a ocasião de conhecer pessoalmente o conceituado Prof. Benedicto Silva, esperantista de primeira categoria. Recebido em sua própria casa, lá permaneci por algumas horas.(Neste momento, uma luz vermelha imaginária me alerta para ser breve, para respeitar os leitores; uma outra verde, indica: vá em frente, há quem aprecie detalhes) Resumindo: O Professor Benedicto falou-me da sua paixão pela filatelia; das suas viagens ao Japão , a convite de uma organização que utiliza o esperanto como veículo de divulgação de seus objetivos, a "Oomoto" ,
"uma 'nova' religião japonesa , com fundamento na cultura tradicional do Japão, com ritual xintoísta , cujos ensinamentos universalistas demonstram, entretanto , alto respeito pelas religiões de todos os povos". Falou-me, inclusive, das atividades que exercia como tradutor e redator da revista "Oomoto".
Fato curioso ocorreu quando o Prof. Benedicto abriu um grande arquivo de aço e de lá retirou alguns envelopes enviados por seus correspondentes, ornamentados com belíssimos selos comemorativos, oriundos de várias partes do mundo. Ao reconhecer no primeiro envelope a inimitável caligrafia de um velho amigo , surpreso exclamei: " Não me diga que esta carta é do samideano Werner Heimlich, de Soltau, Alemanha ! " E era. O Sr Werner foi um dos primeiros correspondentes que tive. Quando começamos a nossa troca de cartas, postais, revistas e fotos, ambos éramos iniciantes no aprendizado do esperanto. Como diria Malba Tahan, "já lá se vão 50 anos... !"

Quanto ao José Carlos Cintra, citado pelo Eurípides, o que tenho a dizer já havia sido publicado em artigo do dia 20 de novembro de 1999, no Diário de Petrópolis. Além de aparecer na página citada,
será aqui reproduzido , um pouco mais adiante, sob o título "Crer para ver".

E quanto A ARTE DE SER UM PERFEITO MAU PROFESSOR ? Bem, a primeira providência foi publicar uma nota em duas das listas de debates pela internet, mantidas por amigos esperantistas, expondo o nosso interesse em obter uma cópia do livro em questão. A resposta com a indicação de bibliotécas universitárias e livrarias que operam com livros usados (sebos) foi imediata.
Mais uma gentil reação do Eurípides: "Caramba, como são bem informados seus companheiros! Gente finíssima! Sou-lhe infinitamente agradecido pela solicitude e presteza. Já estou procurando contatar a Universidade referida pelo Jozefo."
Dias mais tarde, fui surpreendido com o recebimento pelo correio de uma cópia do livro " que havia emprestado a não sei mais quem e adeus...! " O autor da remessa só poderia ter sido o prezado Eurípides.
Aí está, como nasce uma amizade. Esperamos que no futuro possamos ler uma crônica escrita pelo próprio Eurípides, intitulada "Como nasce um esperantista." Interesse e dotes para aprender a língua neutra internacional não lhe faltam. Competência para escrever belos artigos, também não. Vejam, mais adiante, depois de "Hillel, um sábio professor" e de "Crer para ver", o que ele nos diz, em "Impulsividade em três tempos".

FJGM,17.02.2003
ANOTAÇÕES:
Meu caro Eurípides,
1. Não se esqueça que este é um rascunho do rascunho. Discordando de alguma abordagem feita, por favor, não faça cerimônias e entre com uma "liminar" sob a forma de e-mail, solicitando o impedimento da publicação do que julgar que não deva aparecer no livro.
2. Vexame: Só hoje percebi que estava digitando incorretamente o seu nome, escrevendo Eurípedes ao invés de Eurípides.
Abraços do
Marinho



04 maio 2006

SENTA AÍ, TALITA ! ( Um verdadeiro tipo de soldado)

O texto abaixo , cuja grafia original acha-se integralmente respeitada, foi transcrito da publicação "MARTE "- ANNUARIO ILLUSTRADO DO EXERCITO E DA ARMADA-1°VOLUME - 1908.
Trata-se de um precioso documento que me foi dado há muito tempo pelo Paulo , irmão já falecido, querido de todos nós e, em especial, de todos os sobrinhos.
FJGM

Um verdadeiro typo de soldado

"Le métier de la guerre comme on pourrait le craindre,
si l' expérience ne nous instruissait pas,
ne tend nullement à dégrader et a rendre féroce celui qui l' exerce;
au contraire il tend a le perfectionner"

Como divérge este conceito de J. DE MAISTRE da opinião d'aquelles para quem a função militar se apresenta sempre como o exercício dos mais cruéis instinctos da humana ferocidade!
Para esses, victimas inconscientes de uma entidade morbida prestes a ser inscripta nos tratados de pathologia, os exercitos nada mais são senão machinas de morticinio, e o soldado - o semeadôr do luto e da orphandade, o sacerdote horrífico da desolação, a féra insaciavel de vidas e de sangue. Debaixo do uniforme, acreditam esses pobres miliphobos, não pulsam corações bem formados, não existem sentimentos de bondade.
Entretanto, como são erroneos taes juizos, a historia o demonstra de módo formal, esmagadôr .
Quasi falsos quando se referem a soldados de nações conquistadôras, erradissimos são, concernindo ao soldado brasileiro, cidadão de uma patria onde a guérra, por via de régra, tem tido sempre a justifical-a o direito sacrosanto da legitima defeza, e que de sua carta magna riscou a hypothese odienda da conquista.
Certamente, individuos tem havido e existirão ainda, aqui e alhures, para os quaes a farda sérve somente de relêvo a vicios e torpezas.
Deshonram-n'a.
Aviltam-n'a.
Seria, porém, errar, e mui erradamente, pretender erigir taes miseraveis em estalão e por elles querer avaliar um exercito qulquér.
Por felicidade, a gente d'esse jaez é muito pouco numerosa.
A mór parte, procura com afan, nos limites da capacidade moral e intellectual de cada um, satisfazer ás qualidades caracteristicas que déve ter o soldado moderno e principalmente o soldado brasileiro: dedicação absoluta ao dever militar e bondade de coração. Aquella é em synthese a representação das virtudes profissionaes, esta a crystallisação dos predicados do soldado digno, no trato com os seus camaradas, com os concidadãos civis e com o inimigo vencido.
Semelhantes qualidades, inaccessiveis a almas pequeninas , tem passado como uma herança abençoada das gerações de outr'ora para as de hoje, apezar de hiatos, cumpre reconhecel-o por amôr a verdade, que a intolerancia politica, servida por paixões vilans, tem produzido em todas as nações.
***
E haverá entre nós, no momento actual, quem satisfaça ás qualidades caracteristicas apontadas? Perguntará o leitor de si para si.
Mercê de Deus, varios exemplos poderia citar. Não é meu intuito, porém, fazer d'estas linhas uma carta de nomes. Por isso lembrarei apenas o de um dos mais estimados generaes do nosso exercito.
E si me fôra mistér justificar a razão de ser d'estas linhas, collocando-as sob a égide de um d'esses nomes, que despertam o acatamento universal, bastaria transcrever este pensamento de Vauvenargues: " C'est une maxime inventée par l'envie, et trop légèrement adoptée par les philosophes, qu'il ne faut point louer les hommes avant les mort. Je dis au contraire que c'est pendent leur vie, qu'il faut les louer, lorsqu'ils ont mérité de l'étre."
Demais, o cidadão de quem me vou occupar está afastado dos cargos em cujo exercicio poderia, si lhe fosse outra a estructura moral, recompensar thuriferarios, pois , em bôa hora, a presidencia da republica o levou para o mais alto tribunal militar do paiz. E ahi, como nas multiplas funções administrativas e de commando que a sua capacidade illustrou, servirá a patria como vem fazendo ha uns oito lustros com a maior dedicação e competencia.
Refiro-me ao General José Maria Marinho da Silva.
As minhas palavras, creio firmemente, taduzem os sentimentos de todos os que tiveram a ventura de servir sob as ordens d'esse estimadissimo chefe.
Desde a campanha do Paraguay, para a qual marchou como voluntario com menos de 17 anos, e onde por sua bravura conquistou a promoção ao primeiro posto do exercito, até ao elevado gráo da hierarquia militar em que se acha, tem sido sempre, para servir-me da concisa expressão ingleza : the right man in the right place.
De sua dedicação ao deve militar é testemunho a fórma como sempre desempenhou as commissões que lhe foram confiadas.
Instructor de cavallaria da Escola Militar da Praia Vermelha, cargo para o qual foi nomeado mediante concurso ( procésso há muitos annos eliminado, infelizmente, das nórmas da administração militar) , não restringio a sua actividade a execução mais ou menos tibea do programma escolar, como é de costume fazer-se, mas havendo notado quão deficientes erão os regulamentos de BERESFORD e BARBACENA, então em uso, organisou por iniciativa propria um projecto de instrução para aquella arma, mandado adoptar no exercito em Agosto de 1889, e ao qual, no dizer da commissão que sobre elle deu parecer, é de per si bastante para fazer a reputação de um official.
Commandante do 6°districto militar, em uma epoca na qual estavam ainda vivos os odios nascidos da revolta federalista e a guarnição trabalhada pelas intrigas da politicagem, procedeu tão imparcialmete, que ao deixar esse cargo, unanimes foram as manifestações de reconhecimento, oriundas da certeza em que estavam os rio-grandenses de lhe deverem, em grande parte, o não ter ressurgido a guerra civil.
Como inspector de varios corpos, a sua acção não tagenciava apenas os problemas concernentes a instrucção, a administração, a disciplina: procurava resolvel-os á luz da grande experiecia que tem das cousas profissionaes.
O que fêz como commandante do 4° districto militar foram serviços de alta monta, cuja excellencia não teve tempo ainda de cahir em olvido.
Embóra julgue ocioso lembral-os, recordarei, contudo, para dar uma idéa da sua orientação, uma d'entre as muitas medidas cuja adopção propoz em seus relatorios, as quaes, si houvéssem sido postas em vigor, concorreriam para melhorar a situação do exercito, collocando-o em condições de mais efficientemente cumprir a sua função civica.
Quéro lembrar o que solicitou quanto a tão necessaria acquisição em cada districto de um campo de instrucção, com area sufficiente para nelle manobrar, marchar e acampar uma divisão e fazer exercicios de tiro de guerra.
Documentar a bondade de coração do general Marinho, bondade que não exclue o rigor a empregar contra quem se arréde do bom caminho, é problema cuja unica difficuldade consiste na affluencia de factos comprobatorios.
Quando instructor da Escóla da Praia Vermelha, era o seu lar o prolongamento do lar de todos os alunnos, e, para muitos d'elles, orphãos ou separados de seus progenitores, o unico ponto onde recebiam as reacções salutares da familia.
E quantos, quantos não encontraram na bolsa parca do Capitão Marinho desinteressado auxilio e, no seu coração opulento, carinhos e bem querer!
Assim procedeu sempre, porque sua bondade se não caracterisa pela fórma passiva de não praticar o mal, porém pela fóma activa de impedil-o e de praticar o bem.
E foi, por isso, que,quando o dever militar o mandou, por occasião da revolta de Setembro, aos sertões do Paraná, longe de proceder como outros que andaram maculando as armas da Republica com atrocidades infames, agio com toda a humanidade, salvando a vida de muitos brasileiros préstes a serem victimados.
No exercicio do cargo que por ultimo occupou nesta capital, era de ver o interésse carinhoso com que procurava minorar o soffrimento dos soldados, em lévas arrancados, pelo beriberi e pelo impaludismo, aos batalhões estacionados no 1° districto militar, mostrando, mais uma vez, que para elle, o simples soldado não é apenas uma unidade a considerar no calculo dos effectivos de que dispõe o general, mas um concidadão, um irmão d'armas.
***
E assim, a traços largos, fica nestas linhas debuxado um typo de soldado digno de imitação.
(a)CAPITÃO R.SEIDL



03 maio 2006

SENTA AÍ, TALITA ! ( Uma colega adorável)

Rio,12.2.2003 (4a feira)
Oi,Talita! Alô-ô!

No domingo passado contei para a Heloisa ( para quem não sabe,minha nora, mãe da famosa dupla Eduardo/Betina) sobre o nosso livro. Ela me perguntou se eu já tinha um esboço completo da obra. Disse que não, pois pretendo ir escrevendo , como fazem os cronistas,isto é, na medida em que fatos forem acontecendo e dando margem a "ganchos".
A propósito, gostei de saber que o Edson, seu namoradinho e colega de turma de colégio, ficou impressionado com as informações que recebeu a respeito da gramática do esperanto, a ponto de revelar que pretende aprendê-lo. Eu já simpatizava com esse moleque, por achá-lo parecido com o "cracão" Athirson, integrante (pelo menos até o presente momento) do glorioso Flamengo F.C. Agora, então, sabendo-o inclinado a estudar o esperanto, o rapazinho subiu de vez no meu conceito.
Falando sério: As razões que levam uma pessoa a interessar-se pelo aprendizado do esperanto são as mais variadas possíveis. Depende muito das circunstâncias em que for apresentado ao assunto e dos seus gostos, tendências e hábitos pessoais. Assim como há quem sinta grande prazer em solucionar desafios matemáticos, palavras cruzadas, charadas e um enorme número de variados testes e jogos, há quem se delicie com a construção de poemas, com o adequado emprego de palavras e de frases ,na própria língua ou em línguas estrangeiras, há também os que ficam maravilhados com a simplicidade, com a lógica, com as possibilidades que o esperanto encerra. Há os que vêm no conhecimento do esperanto uma forma de penetrar diretamente na cultura de outros povos , sem depender da existência de publicações produzidas por terceiros, nos idiomas que nos são praticamente impostos. Há os que vibram em participar do movimento esperantista, pela satisfação de estarem contribuindo para a construção de um mundo melhor, facilitando a compreensão recíproca de povos de línguas diferentes. Como diria o grande xará : "Tudo vale a pena , se a alma não é pequena". De minha parte, tenho feito o possível para aumentar o número de participantes desse movimento. Os resultados não são imediatos. O avanço é lento,mas os prazeres que sentimos no decorrer do processo de divulgação do esperanto são compensadores. Vou dar apenas um exemplo:
Em 1955 a cidade do Rio de Janeiro sediou o 3° Congresso Mundial Eucarístico Esperantista, cujos trabalhos foram organizados pelo padre chinês J.B. Se-chien Kao, o qual, depois de visitar o Brasil por três vezes, acabou permanecendo no Rio de Janeiro , por 8 anos. Não sei como, mas fiquei sabendo que o Padre Kao, além do esperanto, falava fluentemente o francês, língua que a sua bisavó Noemï também dominava e lecionava. No auge do meu entusiasmo pelo recém aprendido esperanto e depois de poucas e boas conversas com a minha saudosa mãe sobre a excelência dessa língua, resolvi convidá-la para uma visita ao Convento Santo Antônio, onde teríamos a oportunidade de conhecer o Padre Kao e de praticarmos, ela , o francês e eu, o esperanto. Para uma mulher inteligente , católica fervorosa, sempre disposta a conhecer coisas novas , não haveria melhor oportunidade do que esta. Lá fomos nós. Foi uma tarde maravilhosa. Ganhei uma nova colega de estudos! Guardo até hoje uma foto em que essa adorável "colega" aparece com um véu preto sobre a cabeça, participando de uma das cerimônias religiosas do citado Congresso Eucarístico. Passados alguns meses, no início da minha carreira profissional, já servindo em Campo Grande, atual Mato Grosso do Sul, novas alegrias: a troca de correspondência em esperanto, com a própria mãe ! Agora, uma confissão: O que mais me comovia ao ler as cartas que ela me enviava eram as citações de belíssimos textos extraídos de obras publicadas em esperanto, porém psicografadas ou escritas por autores espíritas. Criatura extremamente bondosa, tolerante, compreensiva, isenta de preconceitos ! Que exemplo!

Recado para o Edson:
Não deixe de fazer uma visitinha ao sítio http://www.npoint.com.br/sementeira que está merecendo uma atualização , mas que contém algumas informações bem interessantes.
Em matéria de curso, sugiro que visite a seguinte página , construída pelo amigo Carlos Pereira, de Rondonópolis-MT http://www.cursodeesperanto.com.br . Você vai ficar surpreso com a qualidade do material apresentado.

Um beijão do vô
Fernando

Recado para o Alexandre, redigido em 03.05.2006: Estou me lembrando das gozações que fizeram com você, numa daquelas idas à Angra dos Reis. Um dos seus fiéis amigos, " mui amigo", não parava de provocar recordações do Edson. Não é o meu caso, pois estou apenas reproduzindo um texto escrito em 12.02.2003. Para limpar a minha barra, devo acrescentar : " A Talita é uma garota de sorte; até hoje, só teve como namorados gente finíssima!".

FJGM






02 maio 2006

SENTA AÍ, TALITA ! (Contar carneirinhos? Já era!)


Ultimamente , com esse desafio de escrever o SENTA AÍ, TALITA! , acabei notando que o meu sono vinha sofrendo algumas alterações. A primeira etapa do repouso do guerreiro, como até hoje acontece, transcorre normalmente : apago imediatamente, ao primeiro contato com o travesseiro. Mas, no meio da madrugada, depois de algumas horas de descanso e de satisfazer a mais corriqueira das necessidades dos idosos, voltava para a cama e começava a me preocupar com a estruturação dos capítulos desta "obra-prima". Justo nesse momento , as lembranças de inúmeros fatos povoavam a minha mente e roubavam o meu sono. Pois, foi exatamente uma dessas lembranças que me trouxe a solução para a incipiente insônia : Por que não fazer uso da auto- hipnose, já que eu a conhecia de longa data? Passei a fazê-lo e o problema foi resolvido. Querem saber os detalhes de como venho driblando a insônia? Pois não. Sugiro, no entanto, que , inicialmente , leiam sobre as origens do meu interesse pela hipnose.
Por volta de 1959, quando era ainda 1°Tenente e servia no então 1° Batalhão de Engenharia de Combate, em Santa Cruz,zona oeste do Rio de Janeiro, fui convidado pelo médico da Unidade, Ten Dr. Silvio, para , segundo suas palavras, assistir a um fenômeno interessante. Vocês deverão estar se perguntando se há necessidade de entrar em tantos detalhes para contar um caso como o que pretendo narrar. Afirmo que sim. As histórias relacionadas à hipnose costumam ser tão extraordinárias que , se não forem bem documentadas, facilmente caem no descrédito geral. Prossigamos. Uma vez aceito o convite para presenciar o fenômeno, nos dirigimos para o gabinete odontológico do Quartel, onde nos aguardavam o dentista ( Dr. Macri. Se não me engano era esse o seu nome) e um soldado , seu paciente. Enquanto o médico, Dr.Silvio, hipnotizava o soldado e descrevia os resultados esperados, o dentista ia realizando, tranqüilamente, as ações que lhe competiam. Lembro-me, perfeitamente, de algumas das afirmações do médico (ausência de salivação,ausência de qualquer sensação desagradável, desprendimento gradativo da raiz do dente que estava sendo extraído,contração de vasos e artérias, eliminando eventuais hemorragias) ,de alguns procedimentos do dentista( extração de um dente,sem necessidade de anestesia) e das reações do organismo do soldado, correspondendo exatamente ao que ia sendo descrito pelo médico. Impressionado com o que vira, revelei ao Dr. Silvio o meu interesse em receber umas aulas sobre o emprego da hipnose. " Marinho, se você conseguir mais uns 5 interessados, dispostos a pagar o que eu paguei no curso que fiz, poderemos pensar no assunto." - foram as palavras do Silvio. A partir daí , comecei a busca de interessados. A primeira pessoa que abordei foi um sargento do meu pelotão. Rebelo, era o seu nome. Resposta do Rebelo ao meu convite: "Tenente, eu já sei hipnotizar. O Senhor não precisa pagar nenhum curso. Vou lhe indicar o livro que utilizei para o meu aprendizado". Em seguida, chamou um dos nossos soldados e passou a demonstrar que de fato conhecia a técnica da hipnose e obtinha resultados impressionantes. Autor do livro indicado pelo Rebelo: Dr. Karl Weissmann, então psiquiatra da Penitenciária de Neves, Minas Gerais. Nome da obra: O HIPNOTISMO -psicologia, técnica e aplicação ( Editora Martins, 196? )
A leitura da obra do Dr Karl Weissmann foi suficiente para dar-me condições de provocar fenômenos verdadeiramente fantásticos. Mas, é bom que se diga, não basta saber provocar fenômenos, há que se observar também uma série de recomendações encontradas em outras obras. É fundamental que se leia sobre os aspectos éticos, legais e religiosos da hipnose.
Ainda voltaremos ao assunto várias vezes, pois não faltarão histórias para contar.
Agora, ao problema da nossa insônia! Uma vez percebido que era a concentração da atenção na procura de caminhos para a estruturação deste livro o que estava perturbando o nosso sono, o aconselhável seria utilizar alguma técnica que permitisse desviar essa atenção para outro objeto, o que aliviaria a tensão e facilitaria o relaxamento. Foi aí que comecei a me concentrar no ato da minha própria respiração, imaginando o percurso percorrido pelo ar, o relaxamento provocado pela oxigenação do sangue , e, conseqüentemente , a me esquecer das preocupações anteriores.
Bem,se vocês acham complicado imaginar o funcionamento do próprio aparelho respiratório, apelem para aquele método ancestral da contagem dos carneirinhos. O resultado é o mesmo:
A atenção que estava voltada para os problemas passa a ficar voltada para a contagem dos carneirinhos.
Para terminar, um caso real:
Não estou bem lembrado se o fato aconteceu com a Talita, com a Natália ou com o Guilherme, quando eram bem menores. Um desses heróis , havia ido dormir na nossa casa. À noite, estava um pouco excitado e custando a pegar no sono. Explicou para o avô que isso o estava preocupando. Propus então que ouvisse a história que eu iria contar.É claro, que depois de descrever o cenário de uma bela fazenda, com riacho, lago, animais e tudo que tinha direito, surgiria uma cena em que carneirinhos iriam saltar uma cerca. Aí começaria a contagem (ilimitada) dos bichinhos. A coisa estava indo às mil maravilhas. O neto já estava quase fechando os olhinhos. De repente interrompe "a filmagem mental" e me diz: "-Vô, não consigo contar os carneirinhos, eles estão todos embolados." Foi só determinar que os bichinhos entrassem em fila indiana para pular o único lugar da cerca que permitia a passagem para o outro lado. Problema resolvido, ronco iniciado!
Bem, nosso objetivo não era, absolutamente, dar uma aula de hipnose. Desejei apenas passar para os amigos leitores a idéia de que a hipnose é um tema muito mais sério e muito mais importante do que se possa imaginar.

Anotações:
Meu caro Eurípedes, o livro citado nesta história enquadra-se no rol dos "emprestados, adeus!"
Este é o arquivo "senta 003"
09 fevereiro 2003
FJGM


01 maio 2006

O PORQUÊ DO TÍTULO " SENTA AÍ TALITA!"

O cinema estava quase cheio. A seção ainda não havia começado. A nossa heroína Talita ( na época , com 5 ou 6 anos de idade) fazia parte do grupinho de 5 crianças e um adulto, que aguardava o início do filme. A irrequieta menininha não parava um minuto.Levantava-se a todo momento. Ora para observar o movimento de chegada dos espectadores, ora para ir ao banheiro, ora para ir ao bebedor, ora para comprar balas.
-Onde você vai ,Talita ?
-Beber água, tia. Estou com sede.
-Senta aí, Talita! ( dizia a tia, já pensando em voltar para casa).Você já bebeu muita água.
E lá ia a garotinha... " E agora, aonde você pretende ir? "
-Comprar chicletes, tá legal?
-Não! Senta aí,Talita!
Para encurtar a conversa, depois de uma meia-dúzia de idas e vindas da guriazinha e da insistente determinação da tia, que não hesitava em repetir "Senta aí, Talita ! ", eis que um engraçadinho grita lá das últimas fileiras : "Senta aí,Talita!"
A platéia caiu na gargalhada e estourou de rir quando a baixinha, sem perder um segundo retrucou , " Cala a boca , %#$%!! !"
Não pensem que aprovamos e que estamos exaltando o irreverente comportamento da dita cuja . Mas, em determinadas situações, principalmente nas inesperadas, disfarçar o riso é coisa difícil.
Pois bem, saibam vocês que essa mesma Talita é adorada por todos os primos. Não pelas travessuras que fazia, mas pela maneira carinhosa e paciente com que trata quem quer que seja, e em particular os pequeninos.
Não mais de forma impositiva, mas sim convidativa, propomos à querida netinha Talita que ela se sente ao nosso lado para ouvir as histórias que temos para contar. Senta aí, Talita! A seção já vai começar.



(03.02.2003)

( na próxima página, provavelmente escreverei sobre o seu tio Paulo, meu saudoso irmão. Acho que vou contar sobre a viagem que ele fez para BH, sentado ao lado de uma freira. O assunto é hilariante! Outra hipótese: falar sobre a dificuldade de pegar no sono e sobre minhas experiências com a hipnose.Ultimamente , na hora de dormir eu ficava pensando no nosso livro)

30 abril 2006

COMO NASCE UM "BLOGANO"*


No início deste mês, recebi de um amigo esperantista um pedido de ajuda. Ele supunha que eu fosse capaz de facilitar a atualização do blog www.georgapoemo.blogspot.com , aliviando, conseqüentemente, a tarefa de outro amigo esperantista, que o presenteara com a criação desse maravilhoso instrumento de divulgação das inúmeras poesias que produz. A supozição tinha algum fundamento, pois desde 1997 mantenho um sítio na internet(www.npoint.com.br/sementeira) e consigo atualizá-lo sem problemas.Além do mais, sou um idoso aposentado, com a injusta fama de prestativo. Acontece que, em matéria de " blogoj" ( Fiquei na dúvida sobre qual seria o plural de "blog"; resolvi apelar para o esperanto, que não apresenta irregularidades na formação do plural das palavras."Blogo", palavra terminada em "o", é um substantivo; o acréscimo de um "j" é o suficiente para termos o plural de qualquer palavra; esse "j" soa como um "i" breve) ,mas, como ia dizendo...meu conhecimento era nulo.Persistente e curioso que sou- para não dizer "teimoso e abelhudo"- resolvi dar uma espiada no http://www.blogger.com . Resumindo: fiquei encantado com a possibilidade de ajudar o amigo, ensinando o como "aprender a pescar", embora não descartasse a possibilidade de oferecer-lhe " peixes prontos para consumo". E foi assim que surgiu "A Galera do Marulo", pois meu primeiro passo seria dar um nome ao meu futuro blog."Galera do Marulo" , até então,era apenas o título que dava ao grupo constituido de filhos, netos,genro, noras e alguns amigos do peito. Minhas primeiras edições foram produzidas em esperanto e destinavam-se especificamente ao amigo Jorge das Neves. A partir de agora, a Galera do Marulo passou a navegar , primordialmente, em águas territoriais brasileiras, aproveitando, sempre que possível, para mostrar aos seus tripulantes, como é fantástica essa idéia da língua universal, oferecendo-lhes ,em pequenas porções,para não enjoá-los durante a viagem,petiscos de esperanto. Estou certo de que faremos juntos uma viagem bem divertida. Este blog pretende, entre outras coisas, abrigar o rascunho de um livrinho que eu havia iniciado e interrompido, não por falta de estímulo, mas pelas circunstâncias que costumam nos desviar de metas traçadas.
Antes de mandar um beijão para a minha galera, gostaria de apresentar uma foto parcial da tal tripulação:



Recado para Talita,Eurípides e Charles: Desta vez tudo indica que o livrinho "Senta aí ,Talita!" não vai " dançar", porém "viajar" na Galera do Marulo. Brigadão pelo estímulo.

SENTA AÍ, TALITA !

( Rascunho iniciado em 2 de fevereiro de 2003. )

APRESENTAÇÃO
Tudo começou em 1994, quando depois de editada a tradução de O CENTÉSIMO MACACO, que tive o prazer de passar do esperanto para o português, me dei conta da terrível distração que havia cometido. Um avô , "senvergonhadamente" coruja, jamais deveria ter prestado homenagem especial a um dos oito netos que até então possuía, sem que fosse feita qualquer referência aos demais.
Na verdade, Natália, na época com seus nove anos de idade, bem que merecia o agradecimento tornado público nas primeiras páginas da tradução, pois a doce cobrança que fazia , quase que semanalmente, argüindo quantas páginas ainda faltavam para a conclusão do trabalho, funcionava como um fantástico estímulo. Mas, e a irmãzinha Talita - de seis anos , esperta como ela só, observadora das ostensivas e freqüentes manifestações de gratidão, que o avô verbalizava sempre que tocava no assunto "tradução em andamento" - como estaria se sentindo? O Guilherme, com apenas três anos de idade, era ainda muito novinho para perceber o que estava acontecendo com as irmãs. As netas mais velhas, Marina e Mariana, residindo em Salvador, não estavam presentes para testemunhar a falha do avô. Os demais netos ( Eduardo, Gustavo e Gabriel) , nessa época, estavam mais preocupados em descobrir uma bola ou uma piscina, para demonstrar as precoces aptidões esportivas que nenhum avô que se preze seria capaz de deixar de reconhecer. Betina, irmã do Eduardo, e Fernandinha, irmã da dupla Marina/Mariana, que vieram para completar o nosso time de 10 netos, já aprenderam o que é ter ciúme, mas o responsável pela tradução do Centésimo Macaco, sabe que não teve nenhuma participação na elaboração das lições que as conduziu a esse aprendizado. Agora que vocês já foram apresentados à nossa turminha , vamos ao que interessa: o início de um diálogo com a Talita.
-Talita, neste livrinho do macaco eu falei um pouquinho sobre a sua irmã. Agora, estou pensando em escrever uma outra coisa. Que tal um livro escrito por nós dois? Um bate-papo gostoso, onde contaremos para os nossos parentes e amigos uma porção de histórias interessantes. Topas?
-Topo. Acho que é uma boa idéia.
Amigos, esse papo aconteceu há 9 anos, mas nunca foi esquecido. A idéia da elaboração deste livro nasceu do desejo de corrigir um erro, mas, com o tempo, foi evoluindo...A cada dia que passa , mais me convenço da utilidade de registrarmos em cartas, documentos ou de preferência em livros, algumas das interessantes experiências que vivenciamos. Sou o décimo, de uma série de 10 filhos do casal Justiniano/Noemi. Quando meu pai faleceu, eu tinha apenas 8 anos e ele já havia alcançado os 60. Gostaria de saber muito mais a respeito daquele que era extremamente admirado pelos meus irmãos mais velhos e querido pela minha mãe. Não cheguei a conhecer nem o meu avô paterno, nem o materno. O pouco que sei a respeito de cada um deles é o suficiente para admirá-los, mas gostaria de saber mais. Creio que essa carência de informações foi o que fez crescer o meu interesse em deixar registrado algo que deva ser compartilhado com os filhos, netos e demais parentes e amigos, na expectativa de que façam bom proveito das descobertas que forem eventualmente ocorrendo durante a leitura deste livro.
Os netos foram crescendo. Os três mais velhos (Mariana, Marina e Natália) já estão cursando faculdades de Administração, Comunicações e Medicina, respectivamente. A Talita, na penúltima série do ensino médio, portanto, às vésperas de prestar vestibular para ingresso numa universidade. Diante desse novo quadro, não me parece justo desviar a atenção da Talita para a tarefa de co-autora deste livro. Emprestar-me o seu nome para o título do livro e oferecer sugestões e críticas na medida em que os capítulos forem sendo escritos, já é mais do que uma excelente contribuição. Tudo combinado, Talita?
Então, passemos ao porquê do título.

(02.02.2003)

(Esse porquê será editado no próximo blog. Aguardem!)














12 abril 2006

Dankesprimojn

Jen, kara poeto, plia mesaĝo al vi:
Unue,koran dankon pro via ĉiama afableco!Sub preteksto de novaj esploroj, la ŝajne senmakula Leono fiere aperigos ĉi-sube kopion de via ĵus sendita poemo:
VIVU la "Galera de Marulo"!

Marulo, plej bona ulo,
vasta koro sen makulo,
sen problemoj, sen komplikoj.
Estas Li el karamelo,
kaj estas mia Modelo,
Amiko de geamikoj.
*
MARULO
estas ne alia ol
FERNANDO MARINHO
"mia eterna Prezidanto"
de
BRAZILA ESPERANTO-LIGO
*
Rio, je 12/Aprilo/2006
Jorge * Georgo das Neves
poeto@infolink.com.br
http://georgapoemo.blogspot.
Mi tute ne forgesis prezenti al niaj vizitantoj la foton de via belega "Brumerango".Rimarku , ke ĝi anstataŭas la foton laste sendita al vi. Nun, mi ne plu havas dubojn pri la manovroj rilataj al anstataŭigo de bildoj kaj de tekstoj. Do,mi konfirmas la eblecon pli efike helpi vin.
Tre amike,
Marulo

Saluton , karega amiko Georgo!



Saluton, karega Georgo!
Bonorde mi ricevis vian hieraŭan mesaĝon. Dankon!Jen miaj komentoj:
1)Pri kvadratetoj anstataŭ ĉapelitaj literoj: Tiu via sciigo surprizis min, ĉar senprobleme la supersignoj aperas sur mia ekrano. Mi uzos la okazon por demandi al Liette kiamaniere ŝi ricevas la mesaĝojn , kiujn mi metas en ĉi tiun blogon;
2)Mi nur klopodis instigi vin al la lernado de blogo-aranĝoj. Tamen,tiu lernado ne estas nepraĵo por ke vi havu vian "Georgapoemo.blogspot.com" ĝisdatigita.Amikoj ekzistas ĝuste por tiaj aferoj. Daŭre kalkulu je mia ŝajna kapablo,tamen vera bonvolemo! Kompreneble, la deziro helpi vin enkondukis min al ege interesa aventuro!
3)Rilate al EKI: Preskaŭ ĉio aperas korekte sur mia ekrano. Malofte okazas la apero de strangaj signoj, sed mi supozas, ke la problemo devenas de la sendinto de la mesaĝoj.
4)Finfine, mi ŝatus sciigi vin, ke mi ja sukcesis anstataŭigi foton gluitan en mia lasta mesaĝo per alia.Rimarku, ke en la ĝisdatigita antaŭa mesaĝo la foto de la triopo ne plu estas la sama.
Por hodiaŭ, sufiĉas, ĉu ne?
Elkorajn salutojn
Marulo

09 abril 2006

Mi daŭre batalas por eviti eventualajn fuŝaĵojn, sed dum lernado, tio estas preskaŭ neevitebla. Ekzemple: post la livero de mia lasta mesaĝo, mi malkovris tajperaron. Tiam mi reiris al "Postagem"( eldonado) refaris la erareton , tamen ĝi ne malaperis ( Nur nun misukcesis fari la konvenan alĝustigon)

Mesaĝo al amiko Jorge das Neves



Karega amiko Jorge:
Mi ricevis vian helpokrion por ĝisdatigo de via blogo. Ĉar mi havis nenian sperton pri tiu afero rilata al blogoj, mi decidis viziti la interesan retejon http://www.blogger.com kaj krei mian propran blogon, tiamaniere , ke mi lernu kiel efike fari la necesajn ŝanĝojn , kiujn vi bezonas. Ĝis nun,ŝajnas al mi ,ke la afero iros sufiĉe glate. Post kelkaj minutoj, mi revenos por montri al vi la rezulton de miaj esploroj.
Ĝis baldaŭ!
Marulo

Saluton, Jorge! Jen la daŭrigo de nia babilado:
Nun mi klopodas fari kelkajn ŝanĝojn en la koloroj de la tiparo. Krome, mi aldonas plian memorindan foton de via malnova ruldomo. La foton mi kaptis el mia ttt-ejo www.npoint.com.br/sementeira. Mi estas reskribanta ĉi-tiun mesaĝon, ĉar pro iu fuŝa monovro mi ne savis la antaŭan.Sekve de tio la rezulto de mia laboro iris " spacen". Mi estas konvinkita , ke la lernado de blogo-kontruoj tre plaĉos al vi.Eble vi mem venos al konkludo, ke ne valoras la penon dependi de helpantoj por ĝisdatigi vian blogon. Tamen, mi daŭre restos je via dispono por eventualaj helpoj.
Antaŭ kelkaj minutoj mi ne sukcesis pertelefone kontakti vin.
Refoje mi faris alian fuŝaĵon: La dekstra foto devus aperi apud la ruĝa teksto. Sed, tio ne gravas . Sendube mi tuj lernos, kiel meti la foton en la ĝustan lokon.
Ĝis la proksima novaĵo!
Tre amike,
Marulo